Psicossomática: A doença pode ser uma tentativa de resolver um problema ou descarregar um conflito – Renata Pudo

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O tema será discutido em abril, em encontro com o médico e psicanalista argentino Luis Chiozza, em São Paulo

“A doença pode significar a expressão de um sofrimento cujo ego não deu conta de outra maneira” Essa afirmação é da psicanalista psicossomática Clarrissa Silbiger Ollitta. De acordo com a especialista, o ser humano é uma unidade que funciona de modo integrado. “Quando choramos, nossos olhos lacrimejam e sentimos tristeza junto. Precisamos do corpo para nos expressar e precisamos da mente para dar vida ao corpo. Uma doença pode aparecer mais como física, no organismo, o que não significa que a mente não esteja presente e vice-versa”, defende ela.

Uma pessoa com um problema pessoal de difícil solução pode adoecer como uma tentativa de resolver e descarregar a tensão do conflito por meio da alteração dos órgãos. “Isto não significa que ela voluntariamente criou a doença, mas que tentou resolver seu dilema da melhor maneira que conseguiu, o que não significa que seja uma alternativa saudável”, opina Clarissa.

E as doenças como forma de expressão podem surgir desde a idade mais tenra. A terapeuta cita o exemplo de uma criança que sofreu mudanças muito precoces no inicio da vida e conviveu num ambiente instável e numa fase de fragilidade. “Pode ser que ao longo da vida, a criança tenha uma sensibilidade ampliada em situações de mudança como no período escolar, viagens, entre outros. Uma maneira de se estabilizar nestas situações é ficando gripada. Ela expressa através das gripes frequentes uma solução para seu estado de insegurança. Desta forma, desenvolve um sintoma, através de uma forma regredida, que exige um cuidado, um acolhimento”, diz a psicanalista.

Segundo a psicanálise psicossomática, um estilo de vida é construído ao longo dos anos e instrumenta a pessoa a realizar projetos, lidar com dificuldades, se apaixonar, trabalhar. Para Clarissa, todas as pessoas se deparam com situações complexas. Muitas vezes elas encontram saídas, mas outras não, porque isso acaba extrapolando a capacidade de enfrentamento. “Frente a estas situações de crise vital, a pessoa recorre ao repertório que ela construiu e, principalmente, ao modo como lidou em situações semelhantes. Por isso, a doença nunca é fato externo à vida da pessoa e sim, uma expressão da sua maneira de viver a vida”, conclui.

Por que adoecemos?

O médico e psicanalista argentino Luis Chiozza, um dos pioneiros no mundo em Psicanálise Psicossomática( o papel do inconsciente nas doenças do corpo) vem ao Brasil para a conferência “Por que Adoecemos – A história que se oculta no corpo”, no dia 5 de abril, no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Chiozza conta com uma fundação para estudos psicossomáticos e publicou diversos livros sobre o assunto em países como Argentina, Itália, Espanha, Estados Unidos e Brasil

Fonte:http://www.segs.com.br/so-saude-segs/149580-psicanalise-psicossomatica-a-doenca-pode-ser-uma-tentativa-de-resolver-algum-problema-ou-descarregar-um-conflito.html

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